Campo Expandido na atualidade? Análise da curadoria de O que restou da cidade em mim.

O último trabalho do espaço Asa BASA propôs uma curiosa questão curatorial logo na primeira exposição individual de Castrenhos. Separando a espacialidade da exposição em 2 locais distintos; galeria e ateliê, Lucas Velloso resgatou questões referentes ao campo expandido, e deu maior sentido à questão do urbano na produção de Gabriel Castro. 

Em meio às contradições da lógica modernista, a questão “escultura” passou a ser flexionada e tensionada das mais diversas formas pelos artistas modernos e pós-modernos. Em um processo de dissecar as variantes escultóricas que negavam a colocação de paisagem e arquitetura, o conceito de campo expandido pareceu comportar tais desafiantes (Krauss, 1984). 

O emprego do arremate chamado por “campo expandido” coube especificamente aos artistas do início da contemporaneidade. Contudo, O que restou da cidade em mim parece retomar esta definição em pleno 2025. Uma exposição de assemblages de objetos encontrados no lixo que acontece em ambientes distintos, ainda que no mesmo espaço. A proposta curatorial em dispor as obras de Castro na galeria e em seu próprio ateliê numa mesma exposição trouxe indagações inéditas para com o público. Quiçá pela influência acadêmica de Castrenhos como estudante de arquitetura e urbanismo que a cidade seja uma provocação tão relevante em seu trabalho. Nesse contexto, cidade deixa de ser apenas fonte de matéria-prima e tema e adentra como elemento curatorial. Velloso, conjuntamente a Gabriel Castro, guia o espectador por um amplo corredor do qual conecta ambas as salas expositivas. Saindo do edifício Asa, caminhando menos de 100m no caos do centro curitibano e pegando um elevador no icônico edifício Tijucas para finalmente adentrar no ateliê do artista e observar o resto da exposição. Num grande sentimento de Arte-vida, O que restou da cidade em mim exibe uma expografia museu-tudo ao expor o público ao exato mesmo ambiente onde o artista apropria-se das coisas. Com a colocação de “conheça o ateliê do Castrenhos!”, não poderia haver melhor decisão a não ser inserir o ateliê-mundo na expografia. Na apropriação generalizada da cidade, é possível afiliar O que restou da cidade em mim como mais uma tensão desafiadora à ideia de campo expandido, desta vez, para a curadoria ao invés de para a obra de arte. 

Referências: 

KRAUSS, Rosalind. Sculpture in the Expanded Field. 1979. Washington: Bay Press. 

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